A Amanda ganhou um coelhinho de presente de aniversário de 6 anos - daqueles bem pascais, branquinho de olhos vermelhos. Numa família (por família entende-se o núcleo familiar e agregados) cheia de gulosos, o comentário geral foi: "Nham, nham!", e dá-lhe piadinha e receitas de como preparar o coelho com molho de laranja, com molho de mostarda, etc., etc...
A Flor pegou o coelho pelas orelhas, explicando pra Amanda que era o jeito certo de segurar o coelho e que não machucava o bicho e eu comentei que era o jeito certo de segurar pra outra coisa também e lambi os beiços.
Amanda arregalou os olhos já com medo do coelho dela ir pra panela e gritou: "Não pode comer meu coelho!". Caique (que estava morrendo de medo do coelho por conta dos olhos vermelhos do bicho), vendo desespero da prima, foi logo dando pitaco: "Não pode matar o coelho - gente não come coelho!"
Eu: Claro que come, meu bem! Coelho é uma delícia!
Caique: E não dá pra comer sem matar? (Que horror!)
Eu: Não, né Cá... A gente não come o bicho vivo. Você não come galinha? Tem que matar a bichinha antes, pra limpar e cozinhar antes de comer. Porco e vaca é a mesma coisa.
Caique: Então a gente é lobo mau, porque a gente come porquinho!
Eu: É, mais ou menos...
Caique: Mas peraí... vaca não é de comer então não precisa matar...
Eu: Claro que é, meu bem. De onde você acha que vem a carne?
Caique: Não mãe, vaca é de apertar a bunda pra sair leite pra gente beber...
(Gargalhadas gerais)
Amanda bateu a mãozinha na testa, deu um suspiro indignado e corrigiu o primo:
"Ai, ai, Caique... Não é a bunda que aperta, é a peteca"...
Resultado: Tive que aguentar 2 horas do Hélio mugindo como se fosse a vaca adorando ter a "peteca" apertada...
terça-feira, 18 de maio de 2010
Coelhos, Galinhas, Porcos e Vacas
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