Nunca me imaginei ficando grávida quando era mais nova. Nunca nem me imaginei casando com ninguém. Aliás, gravidez e casamento eram coisas que me provocavam um certo terror. Tinha na minha cabeça que eu ia viajar muito, beijar muito, e quando me cançasse ia adotar um monte de pimpolhos já gerados e carregados por outras criaturas 'menos afortunadas'.
Daí que casei, uma coisa meio rápida demais pra digerir. Conheci, me apaixonei, em quatro meses já estava noiva e cinco meses depois estava casando. É, foi o tempo de uma gestação - um total de nove meses desde o início do namoro até o casamento. Um ano depois, esqueci de tomar a pílula e engravidei. Cólicas intermináveis, enjôo, azia e muita dor. Era uma gravidez tubária e quase me fui pro lado de lá nessa história. Tive certeza que esse negócio de engravidar não era pra mim, mas ficou lá uma vontadezinha de tentar de novo, uma vontade meio masoquista de arriscar passar outro trauma desses.
Alguns anos depois, depois de várias tentativas frustradas, voltei pra pílula. Entrei pro Templo e os Guias iniciaram um trabalho de cura e reestruturação comigo. E foi então que minha avó faleceu, e no meio de todo o ritual de preparação do corpo, velório e enterro esqueci a pílula de novo. Sem problema - não engravidei durante anos sem a pílula, um mês sem tomar com certeza não ia ser problema nenhum.
E engravidei de novo. Com o perdão às mulheres que já nascem com aquele instinto materno, a gravidez foi para mim uma experiência um tanto desagradável. A azia, o enjôo, o inchaço, tudo me trazia desconforto. Quando senti o nenê mexer a primeira vez me senti a Sigourney Weaver no filme "Alien, o Oitavo Passageiro". Me achava um tanto ridícula conversando com a barriga, o que eu fazia religiosamente toda noite, pra ter certeza que o bebê não ia se sentir rejeitado ou qualquer coisa do tipo. Me desesperava pensando que eu não tinha o tal do 'instinto materno' e que tinha que dar um jeito de encontrar o dito cujo rápido antes do pequeno nascer.
Lá pro sétimo mês, já estava me acostumando com Caique mexendo e chutando minhas costelas o tempo todo. Aí veio o desespero de não querer que ele saísse da barriga. Não queria que ele nascesse de jeito nenhum. Queria que ele ficasse dentro da barriga mais uns 3 anos (tipo gravidez de elefanta, que era mais ou menos como eu já estava me sentindo mesmo). Medo de tudo que ele ia ter que enfrentar depois de nascer e medo de não dar conta do recado. Medo de não conseguir largar dele quando a hora chegasse.
Quase três anos depois continuo com medo de não dar conta, mas tô aqui, tentando engravidar de novo... Porque nesses 2 anos e 5 meses do Caique, ninguém na minha vida inteira me fez sorrir ou rir mais do que ele (com excessão do Rafi, que chega perto, mas esse não é meu e não passa todos os dias comigo... rs). Porque eu olho pra ele e sei o que eu vim fazer aqui. Porque quero que ele tenha pelo menos um irmão pra cuidar dele que nem minhas irmãs cuidam de mim. Porque é amor demais da conta...
domingo, 10 de maio de 2009
História de Mãe
Marcadores: Caique, Família, Maternidade
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3 comentários:
Fala sério!
Você me ama também!
Todas me amam!
aiuhiauhaiuhaiuhaihaiuhaiuahiuaih
P.S.: Cara, ainda bem que o Caique saiu de dentro da barriga... seria trágico se ele ficasse lá... Eu não poderia dizer que sobraria uma única criança viva no churrasco que eu estivesse.... hahahah maldade!!
Olha, eu demorei pra digerir seu texto. Por muitos motivos mas, principalmente pela identificação com ele. Ainda que eu não tenha filhos (mas estou amadurecendo a idéia de tê-los. Eu serei uma boa mãe? - me pergunto.). Será que um dia a vida de solteira - que vc fala no 1o. parágrafo - cansa? Eu ainda não me cansei, mas o instinto materno começa a apertar mais e, mesmo aos 31, percebi que meus medos são iguais aos seus quando você se dizia mais nova.
Enfim. Viu quanta coisa se passou na minha cabeça qdo li seu texto, né? Na verdade ainda estou pensando sobre isso tudo... Bjocas, feliz dia das mães - com atraso.
Carla,
Não sei se a vida de solteira cansa porque eu não cheguei a cansar - tenho amigas e amigos que dizem agora que estão na casa dos 30 que cansa... rs Eu brinco dizendo que o Hélio foi um acidente de percurso, mas quando a gente começou a namorar não senti falta nenhuma da vida de antes. Eu ainda estou pensando e repensando essa coisa de ser mãe - cada hora é um dilema diferente... o troço difícil esse, mas deve ser por isso que é tão bom... rsrs
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